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15.08.08


:: Sit And Go Turbo - Parte I ::

Categoria: Geral ( 12:46 )


Vamos dar início a nossa série sobre Sit & Go Turbo de mesa única, principal escolha dos jogadores iniciantes na hora de começar o bankroll. Mas porque a maioria das pessoas prefere começar com os Sit & Go Turbo? Vamos lá...

A dinâmica de jogo simples - tight no início e loose agressive no final - permite bons resultados caso o jogador estude e se empenhe. Essa mesma dinâmica, no entanto, permite que jogadores medianos e ruins vençam partidas e tenham a falsa sensação de que estão jogando bem. Essa dicotomia, aliada aos jogadores amadores de plantão que sempre estão presentes nas mesas, fizeram com que os SnG de mesa única ganhassem o status da rentabilidade e da segurança, chamarizes perfeitos para jogadores que começam a montar seus bankrolls.

Além disso, por terem uma dinâmica de jogo muito rápida, em que cada partida pode acabar em menos de 25 minutos, eles são perfeitos para jogadores que dispõem de pouco tempo para jogar seguidamente, uma vez que torneios multi-table podem demorar horas. Alie-se a isso o fato de ser possível encontrar muitas opções de mesa para todos os bolsos, tem-se como resultado final uma infinidade de ofertas de mesas simultâneas nas mais variadas rooms do planeta.

Nós começaremos hoje com essa pequena introdução e algumas dicas sobre sites e ferramentas que serão mencionados durante a série. Em seguida passaremos à parte Teórica, dando ênfase a:

- Estágios Iniciais
- Estágios Inermediários
- Bolha
- ITM
- Considerações Finais (HU, ICM e Bankroll)

Após, colocaremos no ar um ou alguns videos de SnG comentados. No desenrolar do jogo, falaremos sobre os aspectos teóricos listados anteriormente nos Blogs.

Feito isso, usaremos um programa auxiliar de análise para estudarmos os SnG apresentados nos videos em busca de erros e acertos. Esses programas são as melhores ferramentas de aprendizado e conciliam ICM com range de mãos (das quais falamos exaustivamente nos últimos blogs) para apontar as decisões corretas em cada momento.

Vamos terminar essa primeira parte com as dicas prometidas... A primeira recomendação que farei nesse Blog será sobre locais para debate de mãos e situações de dúvidas. Sem sombra de dúvidas os melhores lugares são os fóruns de discussão, local em que vários jogadores experientes participam e enriquecem as discussões com suas habilidades em SnG. Aqui no Clube do Poker temos o nosso Fórum de SnG, em que vocês poderão debater com nossos afiliados as dúvidas mais diversas. Não deixem de ler os tópicos fixos, que contêm dicas valiosas e links para excelentes artigos. Além do forum do Clube do Poker, vocês acharão bastante material de estudo nos fóruns do Two Plus Two e do MaisEV.

E por falar em Two Plus Two, a segunda dica é o novo livro Sit’N Go Strategy Expert Advice for Beating One-Table Poker Tournaments da Editora 2+2, famosa por lançar os melhores e mais vendidos livros de poker do mercado. Escrito por Collin Moshman, o livro é um dos primeiros a abordar com a autoridade da Two Plus Two os SnG de uma mesa com 9 ou 10 jogadores, que é a forma mais popular de poker da net. Moshman aborda alguns temas importantes como EV, Equidade nos SnG, conceitos fundamentais do poker, diferença entre ganhar fichas e ganhar dinheiro, jogo ultra-agressivo no late game, jogando várias mesas, usando add-ons, como selecionar jogadores amadores antes de entrar nas mesas e outros mais. O livro custa US$ 17,45 e pode ser comprado no banner ao lado.

Indicamos também o programa que vamos usar para fazer a análise dos nossos SnG, que é o Sit’N Go Wizard. Com ele, você apenas faz o ajuste dos ranges dos seus oponentes e estuda as decisões corretas no Late Game.

Encerramos essa primeira parte com a dica de duas Escolas de SnG com videos comentados. A primeira é a nossa Universidade do Poker, em que vocês encontrarão videos de SnG comentados em português por feras como Christian Kruel e Raul Oliveira. A outra dica é o SNGIcons.com, famosa escola de videos para SnG cujos videos são em inglês e feitos por feras do SnG On-line como Kenny05 e SpaceGravy. Em breve voltaremos com a parte II da série!

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08.08.08


:: Considerações Sobre Ranges ::

Categoria: Jogadas ( 11:29 )


Antes de começarmos a série sobre Sit & Go Turbo, gostaria de trazer mais um artigo da 2+2 Magazine sobre Ranges. O artigo é de Andrew Brokos, mesmo autor do artigo anterior sobre blefes. Mais uma vez, fiz uma tradução adaptada e tentei deixar o texto bem tranquilo de ler e entender. A insistência no tema de ranges deve-se ao fato dessa ser uma parte muito importante não só no poker como um todo, mas também na manipulação de programas de ICM, tão importantes nos Sit & Go Turbo.

Então, esses dois pequenos artigos que exploram o tema dos ranges, servem como uma boa introdução ao tema de Sit & Go Turbo porque vocês precisarão ter uma boa noção disso ao usarem programas como o Sit & Go Wizard para estudarem suas mãos. Fiquem com o artigo...


Considerações Sobre Ranges
por Andrew Brokos

Se há uma lição que eu venho aprendendo e reaprendendo cada vez que eu subo de limite nas mesas de NL Hold'em e que, no fim das contas, todas as decisões se resumem aos ranges de mãos (nossos e de nossos oponentes). No momento, gostaria de falar um pouco sobre como o fato de você "colocar seu oponente num range de mãos possíveis" pode influenciar nas suas decisões na mesa.

Muitas pessoas conseguem compreender o conceito de ranges e sabem como colocar seu oponente num range de mãos possíveis. Entretando, muitos se confundem sobre o que fazer exatamente na medida em que novas informações vão surgindo ao longo da mão. Ou seja, elas não sabem de que maneira o "colocar o oponente num range de mãos possíveis" pode e deve influenciar nas suas decisões em cada situação ao longo da mão.

Compreender ranges vai bem além do tradicional "Eu ganho do range dele, então dou call!" ou "Eu não tenho a equidade correta contra o range dele, então jogarei fora!". Enteder o range possível de mãos de seu oponente deve influenciar em TODOS os aspectos do seu jogo, desde quando blefar até o tamanho dos seus value bets, às vezes de modo bem sutil.

Este artigo passará rapidamente pelos fundamentos de cálculos de equidade contra um determinado range de mãos e analisará de que maneiras o "colocar o oponente num range de mãos possíveis" deveria influenciar no seu jogo.


Colocando o oponente num range e calculando a equidade
Você está no botão com um par de valetes numa $5/$10 NL Hold'em com mais nove oponentes na mesa. Seu oponente, o Sr. Tight McNuts, abre raise no UTG para $50 e somente você paga. O flop abre A-J-2 e o Sr. Tight vai all-in. Você já jogou com ele diversas vezes e sabe que ele só moveria all-in nesse spot com pelo menos uma trinca. Como você tem par de valetes, o range de mãos de seu oponente se resume basicamente a par de áses e pares de dois. Com 50% (AA) e 50% (22), temos um caso claro de call por 2:1 de pot odds correto?

Errado! O ato de colocar o adversário num range possível de mãos não nasce pronto. Ele nasce e vai crescendo na medida em que a mão decorre. Na medida em que ganhamos mais informações, podemos ir diminuindo esse range baseados nas ações dos nossos oponentes. Um jogador absurdamente tight está muito pouco propenso a abrir raise com 22 numa mesa com 10 jogadores no UTG. Poderíamos dizer que ele faria isso em 10% das vezes, enquanto em 90% das vezes o faria com AA. No pré-flop, 22 e AA são apenas algumas das mãos em que poderíamos colocar nosso oponente, mas a partir do momento em que ele foi all-in no flop, elas passaram a ser as únicas duas com as quais nós passamos a nos preocupar.

Existem dois conceitos importantes para pegarmos nesse exemplo. O primeiro é que você deve considerar todas as ações do seu oponente na mão na análise do seu range e não somente o all-in dele no flop. O segundo é que você deve, após colocar seu oponente num range de mãos possíveis, estabelecer a possibilidade dele estar segurando cada uma delas com base nas suas ações. Chamamos isso de "mesurar o range", o que pode soar redundante já que, por definição, o range já é uma espécie de medição.

No nosso caso, o "range medido" que estabelecemos para o Sr. Tight McNuts foi 10% (22) e 90%(AA). Para calcular nossa equidade contra esse range, nós devemos multiplicar nossa equidade pelos "ranges medidos" e somar os resultados. Teríamos então, de acordo com a calculadora da Poker Stove, disponível grátis, 4% de equidade contra o AA em 90% das vezes e 96% de equidade contra o 22 em 10% das vezes. Nossa equidade total seria (0,9)*(0,04) + (0,1)*(0,96) = 0,132 ou cerca de 13%. Ainda que tenhamos pot odds de 2:1, é um caso claro de fold.

Note que se não tivéssemos considerado a ação pré-flop e "medido o range" do Sr. Tight de forma correta, nós teríamos feito um cálculo equivocado de 50% de equidade e teríamos dado um call matematicamente incorreto no all-in do nosso oponente.

Este é o conceito mais básico de como tomar decisões baseado no range do seu oponente e pode parecer até meio óbvio. Porém, em breve mostraremos conceitos mais úteis do que a aplicação de meros cálculos de equidade no showdown.


Blefes - Bluffing
O ato de blefar vai muito mais além do que apostar sem nada quando temos a certeza que nosso oponente não pagará. De fato, se você só blefa quando tem certeza que seu oponente vai jogar suas cartas fora, você deve estar blefando BEM MENOS do que deveria...

A decisão de "quando blefar" deve sempre ser baseada no range que você colocou o seu oponente. Quando você planeja um blefe, você deve ser capaz de imaginar quais mãos do range dele seriam jogadas fora com uma aposta. Você deve comparar a frequência de fold do seu oponente com o tamanho do pote e o tamanho da sua aposta para decidir em que ocasiões o blefe será lucrativo.

Suponha que você esteja numa $5/$10 NL Hold'em e abra do CO, raise de $30 com 34. Seu oponente, um jogador regular tight-agressive, paga do SB. O flop abre 987. Seu primeiro impulso, ainda que o flop não tenha te acertado, é de fazer uma continuation bet de meio pote no intuito de roubá-lo, já que no pré-flop você foi o agressor. Geralmente essa é uma boa tática, mas como muitas das boas táticas do poker, são genéricas e suas decisões, em último caso, devem se basear em como você espera que seu oponente jogue cada mão em seu range.

Muitos oponentes tight-agressive regulares que jogam sólido, têm um range impressionantemente pequeno para dar cold call fora de posição. Eles irão jogar fora a grande maioria das mãos, dar re-raise com suas mãos mais fortes e pagar com mãos tipo 22-99, 76s-KQs e J9s-KJs.

Você poderá perceber como esse flop pode ter acertado a mão do seu oponente. Assumindo que ele pagará ou aumentará sua aposta com bottom pair ou melhor, ou com qualquer draw com mais de oito outs, ele jogará fora:

- 22-55 100% das vezes
- QJs, KJs, KQs 75% das vezes (as outras 25% ele terá acertado um draw para flush de copas)

Mesmo sem calcularmos percentuais exatos em cima desses números, podemos perceber de maneira bem clara que um blefe no flop não será uma jogada lucrativa.

Você pede mesa, o turn abre um 2 e seu oponente pede mesa de novo. Embora você estivesse preparado para desistir da mão no flop, voce não pode deixar de continuar pensando no range de seu oponente porque uma oportunidade lucrativa pode ter se apresentado.

Você está certo de que seu oponente não perderia uma segunda oportunidade de apostar pelo valor com suas mãos fortes ou de semi-blefar com seus draws mais fortes. Você sabe que seus pré-requisitos para call no seu bet de meio pote continuam os mesmos, mas agora já consegue restringir o range do seu oponente para 33-66, 76s, 86s, T8s e QJs, KJs, KQs (excluíndo copas). São 18 combinações de pocket pair se você contar que você tem um 4 e um 3, 12 das quais serão jogadas fora. 9 combinações de draws e pares não serão jogadas fora e 9 combinações de draws serão jogadas fora. No total, de 36 mãos possíveis do novo range de nosso oponente, 21 delas seriam jogadas fora com nossa aposta de meio pote, tornando-o lucrativo agora.

Note que você pôde se utilizar da estratégia do blefe porque uma grande parte das mãos que seu oponente poderia estar segurando seriam, na sua perspectiva, "air". Se você tivesse, por exemplo, AK e não 34, você teria muito menos a ganhar fazendo mãos como QJs foldarem, fazendo com que essa jogada não tivesse muito sentido.


Apostando pelo Valor - Value Betting
Assim como os blefes, as value bets devem mirar mãos específicas do range do seu oponente. Ao assumir que ele tem alguma habilidade para leitura de mãos, o processo de apostar pelo valor no river, por exemplo, deve ser algo como "Eu quero que ele pague com X. Então apostarei $Y para ele pagar me colocando com Z".

Suponha que você, do botão, abra raise de $30 com A5 numa $5/$10 HU NL Hold'em. Seu oponente paga e, nesse momento, o range dele ainda é muito grande, apesar de você poder descartar mãos como 92o (teria dado fold) ou KK (teria dado raise). O flop abre KTT e ele pede mesa. Você aposta $45 e ele paga.

Agora nós temos mais informações para trabalhar. Embora seu oponente seja capaz de blefar com um raise sua aposta no flop, você nunca o viu blefar pagando no flop e apostando no turn ou no river, ainda mais fora de posição. Então, podemos assumir que seu range muito frequentemente será Ax (ele sabe que você tem um range grande de raise pre-flop em posição, assim como um range grande para fazer continuation bet com esse flop e pode assumir corretamente que Ax está na frente do seu range), Kx, QJ, Q9, AT-T8 (ele provavelmente foldaria um Tx menor no pré-flop), 22-88 e, ocasionalmente, pares maiores, ainda que com eles o re-raise fosse mais provável.

O turn abre outro K, que é uma grande carta para você: os dois pares da mesa muito frequentemente serão maiores que um provável par de mão do seu oponente, o K faz com que seja menos provável que seu oponente tenha outro K e você passará a empatar com os Ax que antes o batiam. Ele pede mesa e você também.

O river abre um 2 e ele pede mesa mais uma vez, fazendo com que você possa, mais uma vez, restringir o range dele. Você está praticamente certo que ele apostaria uma quadra ou um full-house, bem como com pares menores em blefes. Isso o deixaria com Ax, QJ, Q9 e em alguns casos raros com AA/QQ/JJ no seu range.

Essa parece uma boa situação para apostar, haja vista que você será batido poucas vezes. A questão é: quanto apostar? Para determinar isso, você precisa considerar quais serão suas mãos alvo que, nesse exemplo, devem ser QJ e Q9. Como apostar para que seu oponente pague com Qhigh nesse spot? Ele precisa pensar que você está blefando com uma mão pior. Logo, você deve fazer uma aposta que seja interpretada por ele como um blefe.

Este é um ponto importante porque muitos jogadores cometem um erro de avaliação comum ao apostar nesses spots, apostando muito quando blefam e pouco quando fazem value bets. Esse é um padrão de apostar muito intuitivo e óbvio demais. Fuja dele porque seus oponentes poderão explorá-lo com facilidade.

Eu não estou dizendo para você fazer uma aposta enorme aqui... Isso vai depender do seu oponente... O que estou falando é que o range de call do seu oponente é que deve determinar o tamanho da sua aposta e não a força da sua própria mão. Se o seu oponente paga com Q-high uma aposta de meio pote com uma frequência três vezes maior do que pagaria uma aposta do tamanho do pote, então aposte meio pote. Se essa frequência for menor, opte pela aposta maior. Assim você maximiza sua equidade contra essas mãos.


Conclusão
Embora muitos jogadores tenham uma vaga noção sobre como pensar sobre o range de seus oponentes, muitos não conseguem entender que as informações adquiridas ao longo da mão devem ser confrontadas a cada momento na tomada de decisões. É com esperança que deixo esses exemplos no intuito de ajudá-lo futuramente em seu processo decisório no jogo.

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