A Arte de Vencer

Por Equipe CDP10/04/2006

THE ART OF WINNING – A CONVERSATION WITH PHIL IVEY
BY CHRISTY DEVINE (CARD PLAYER MAGAZINE)

Um dos mais temidos homens do poker quer me mostrar seu quintal. Ele está tentando acender as luzes com seu controle remoto gigante, mas nada está funcionando. As luzes estão apagadas na casa, o som é ligado, mas ele não consegue descobrir como acender as luzes. “Luciaetta,” ele grita da escada, “venha me mostrar como acender as luzes”.

Vinte e nove anos de idade, o profissional de poker Phil Ivey tem um número de vitórias invejáveis em seu cartel, incluindo um bracelete do World Series of Poker em 2000 aos 23 anos de idade, três títulos do World Series em 2002, uma vitória no Turning Stone Casino American Poker Championship em 2004, vários braceletes de ouro do World Poker Tour, além de muitos outros. Além disso, Ivey joga um jogo muito caro no Bellagio freqüentado por Doyle Brunson, Chip Reese, Johnny Chan, Jennifer Harman-Traniello, Barry Greenstein, Chau Giang, Gus Hansen entre outros. Ele é um dos jogadores de poker mais reconhecidos e reverenciados e um dos mais temidos. Novos jogadores sempre desejam sentar na sua mesa apesar do seu olhar fixo e gelado, mas esperando aprender algumas de suas habilidades somente por estar na mesma “vizinhança” de Ivey. Mesmo profissionais experientes admitem ficarem nervosos com o estilo hiperagressivo de Ivey.

Phil e sua esposa Luciaetta, vivem em uma impressionante e super moderna casa em Las Vegas, com uma escada cromada e grandes muros brancos decorados com obras de artes. Há na casa um moderno sistema de luz e som, porém Ivey não sabe como usa-lo. Felizmente, sua esposa aprendeu como usar os enormes controles remotos que controlam tudo na casa, ou Phil teria ficado no escuro em casa por várias noites.
Christy Devine sentou-se com Phil para discutir poker e sua vida como jogador profissional.

Christy Devine: Eu tenho certeza que alguém já o chamou de o melhor jogador do mundo. Que características você acredita que um jogador precisa para ser o melhor?

Phil Ivey: Para ser o melhor, você deve ser bom em tudo. Você deve jogar os maiores jogos do mundo e vencer. Não há como um cara que tem sucesso apenas em torneios ser o melhor do mundo. Se um cara vai bem nos torneios, mas não consegue ir bem ao vivo ele não é o melhor jogador do mundo. As pessoas têm uma idéia de quem faz mais dinheiro, mas isso é impossível de se mensurar a não ser que se peguem os extratos bancários dos jogadores e os compare. Em qualquer esporte, o melhor jogador fará mais dinheiro pelo menos na maioria das vezes. E é o mesmo com qualquer tipo de trabalho. Você deve estar apto para competir em todos os tipos de jogos. Você deve jogar no-limit, pot-limit, omaha, no-limit deuce-to-seven, limit hold’em, stud, Omaha eight-or-better. Não somente deve-se saber jogar todos esses jogos, mas sim saber vencer em todas essas modalidades. O grande jogo é um jogo misturado. Às vezes um cara chega na cidade para jogar e nós não escolhemos qual modalidade jogar. Nós gentilmente o pedimos para ele escolher e aí jogamos o que ele quiser.

CD: Você acha que o jogo ao vivo é tão importante quanto os campeonatos?

PI: O jogo ao vivo é mais importante, porque é aonde se consegue viver consistentemente com o jogo. Eu gosto das competições. Gosto de jogar contra os melhores jogadores do mundo o tempo todo. Quando se joga com os valores que eu jogo, é muito dinheiro envolvido. Você pode ganhar ou perder de 500.000 a 1 milhão de dólares numa noite. É um pouco mais duro que um campeonato jamais pode ser. Você não pode dizer que alguém é o melhor jogador do mundo, pois num dia específico isso pode mudar. Se sua meta é se tornar um dos top players, você deve sentar-se nos jogos caros e vencer constantemente e com consistência. Esse é o único jeito que eu considero alguém um top player. O negócio é que você pode conseguir fazer milhões e milhões de dólares por ano jogando ao vivo, então se você é um top player, porque não jogar esses jogos caros?

CD: Porque você acha que alguns são bem sucedidos e outros falham ao tentar fazer do poker uma carreira?

PI: Eu acho que tem muito a ver com suas ambições pessoais e com seu ego. Quando eu comecei a jogar poker, muitas pessoas me disseram para eu ir para a escola e não tentar fazer disso uma carreira, mas eu me mantive com isso e mantive aprendendo e me tornando cada vez melhor e aprendendo com as pessoas ao meu redor. Eu não tive ninguém me ensinando a jogar poker, eu simplesmente aprendi sozinho. Eu tinha pessoas com quem eu podia discutir mãos e falar sobre poker, mas muito do meu aprendizado com o poker foi sozinho. Isso se deu com a experiência de se jogar mãos e de relembrar mãos jogadas por grandes jogadores e constantemente ficar pensando sobre poker.

CD: Quantos anos você tinha quando começou a jogar?

PI: A primeira vez eu joguei com meu avô quando eu tinha uns 8 ou 9 anos. Ele me mostrou como jogar o five-card stud. A primeira vez que eu joguei por dinheiro eu tinha 16 anos.

CD: Você entrava nos cassinos com 16 anos?

PI: Não, mas com 17 ou 18.

CD: Eu já sabia disso. Todos têm suas histórias de como entravam nos cassinos. Você tinha uma falsa carteira de identidade?

PI: Sim, Eu era Jerome, Jerome Graham. Esse era meu nome. Todos em Atlantic City me conheciam como Jerome antes de eu fazer 21 anos. Quando fiz, eu andava no “The Tropicana” e encontrava o gerente e dizia: “Hei, meu nome é Phil” e ela dizia, O que? e eu repetia, meu nome é Phil, aí ela dizia que tudo bem, que sabia que eu não era adulto o suficiente para freqüentar o cassino, mas que não havia nada que eles pudessem fazer, pois eu era oficialmente o Jerome.

CD: Há quanto tempo você vem jogando profissionalmente ?

PI: Eu comecei a jogar para viver quando tinha 21, talvez 22 anos. Foi quando eu realmente comecei a fazer dinheiro forte com o poker.

CD: O que o fez pensar que poderia fazer isso para viver?

PI: Eu olhava ao redor e via pessoas que faziam isso para se sustentar e pensei: “Eles estão fazendo dinheiro jogando poker?”. Então eu joguei com eles e não fiquei tão impressionado. No meu pensamento a melhor coisa que podia acontecer era eu estar apto a ganhar dinheiro jogando cartas.

CD: Você pensou que fosse ser mais fácil do que vem sendo?

PI: Parece simples até você começar a perder. Pessoas têm diferentes maneiras de lidar com o dinheiro e de fazer dinheiro. Particularmente, eu não sou o melhor na arte de gerenciar dinheiro. Se eu tiver dinheiro para jogar, eu irei jogar.

CD: Há jogadores que influenciaram seu jogo?

PI: Sim, quando eu comecei a jogar eu conversava muito com John Juanda e Daniel Negreanu. Eu os conheci jogando torneios e eles me ajudavam, nós discutíamos mãos. Quando eu comecei a subir nos rankings e jogar cada vez mais alto, eu descobri que se aprende em todos os níveis. Há uma grande diferença entre jogar $400 – $800 e jogar $4000 – $8000. Há uma diferença de calibres entre os jogadores. Eu aprendi muito jogando com Barry (Greenstein) e outros jogadores vencedores, caras como Chip (Reese) e Doyle (Brunson). Eu observei e aprendi muito com o que eles fazem e então adicionei um pouco do que eu faço. Talvez eu faça algumas coisas melhores do que eles fazem e eles algumas coisas melhores do que eu faço. Isso tem a ver com achar uma maneira de vencer. Quando se joga por jogar cartas, talvez todos estejamos próximos ao equilíbrio. Nos jogos mais caros e de altos ou nenhum limite, há mais psicologia envolvida. Há vezes em que eu jogo por seis ou sete horas seguidas e estou perdendo e sei que preciso parar. Você deve saber quando não está jogando o seu melhor poker. E estar apto a tirar o time de campo. Além disso, você deve estar apto também a olhar as pessoas e saber se elas não estão jogando tão bem quanto elas poderiam. Mesmo os melhores jogadores do mundo às vezes não jogam tão bem quanto poderiam. E essa é à hora de se estar lá e tirar vantagem disso. No meu jogo, eu penso que é especialmente importante ser capaz de jogar longas sessões. Às vezes é necessário jogar por vinte ou trinta horas, mesmo que você não esteja jogando com o melhor de sua habilidade.

CD: É interessante você tocar nesse assunto, pois recentemente eu ouvi dizer que o poker vem se tornando cada vez menos um teste de habilidades e cada vez mais um teste de endurance. Você concorda com isso?

PI: Sim. Agora com todo mundo jogando poker, há mais sorte envolvida nos torneios. Eu irei jogar cada vez mais torneios porque eu adoro competir, mas para isso eu terei de desistir de alguns ganhos em jogos ao vivo para jogar mais campeonatos.

CD: Quanto tempo você passa jogando poker on line?

PI: Eu tento jogar umas 10 por semana.

CD: Quanto tempo você passa jogando ao vivo?

PI: Entre 50 e 90 horas por semana.

CD: Isso é o equivalente a dois trabalhos em tempo integral.

PI: É, mas eu não sinto como um emprego em tempo integral, pois eu adoro jogar. Eu realmente gosto do que faço. Muitas pessoas que jogam profissionalmente não gostam do que estão fazendo. Isso faz toda a diferença. Eu amo poker. Eu amo tudo relacionado a isso. Esse é o melhor jogo do mundo. Eu estou sempre tentando melhorar e sempre pensando em como ficar melhor. Algumas pessoas que eu jogo contra estão jogando somente porque é o seu emprego e essa é uma grande vantagem que eu tenho sobre elas.

CD: Você se considera um apostador?

PI: Sim. Algumas pessoas podem se considerar bons jogadores, mas no final eu terminarei vencendo, pois sou um bom apostador. Quando eu digo isso, eu quero dizer que eu sei quando parar, quando jogar a noite inteira, quando meus oponentes estão em tilt, e quando eu estou em tilt. É só saber quando se deve continuar e quando não se está fazendo o melhor do se pode fazer. Pessoas dizem “Eu não estou apostando quando jogo poker”. Sim, você está. Mas você deve saber como fazer isso. Então irá ser vencedor no longo prazo se for melhor do que seus oponentes. Se você não tomar decisões melhores do que as deles, será difícil vencer. Quando se joga contra os melhores do mundo, suas decisões são muito importantes e eu aprendi isso da maneira mais difícil, jogando jogos aos quais eu não deveria ter entrado ou jogado mais tempo do que deveria. Se você me vê jogando mais do que 20 horas, normalmente eu estou vencendo. É a razão por eu estar ali tanto tempo. É hora de compreender isso.

CD: Você já jogou por 1 hora e parou se as coisas não foram bem?

PI: Não, isso é ridículo. Eu sento e jogo por pelo menos 6 horas. Se eu perder, perdi. Quando eu estou pronto para parar, eu paro. Eu paro se eu estiver perdendo. Se eu estiver ganhando, o jogo é certo e a situação é boa, eu irei jogar até os outros pararem. Eu tenho jogado umas sessões loucas de 50 horas seguidas. É por isso que eu tenho que me manter em forma.

CD: O que você faz para se manter preparado mentalmente e fisicamente?

PI: Eu corro 3 milhas por dia quando eu acordo e vou para a academia malhar. Eu ainda já tentei o golf. Eu realmente quero melhorar nisso, especialmente depois que apareci na ESPN a primeira vez que peguei num taco de golf, foi péssimo. Eu acho golf legal, vou praticar mais com certeza. A coisa que mais gosto no golf é que posso apostar quando jogo.

CD: Se você joga por 40 ou 50 horas como você mantêm sua estabilidade emocional?

PI: Muito disso é adrenalina e eu não faço isso o tempo todo. Eu faço às vezes quando a situação é perfeita. A adrenalina sobe e você sabe que essa oportunidade não acontece sempre de você ganhar a quantidade de dinheiro que se ganha nesses jogos. Quando se tem alguém a seus pés e ele não está jogando seu melhor jogo, deve-se tirar vantagem disso.

CD: Há algum limite que o faz jogar diferentemente?

PI: Eu ainda não o vi. Eu sempre quero jogar o mais caro possível. Eu gostaria de jogar $8000 – $16.000 se eu pudesse, mas talvez não seja a melhor coisa. As pessoas sempre me perguntam se eu preciso jogar tão caro desse jeito e eu digo que sim se eu quiser melhorar. Não se pode ter medo de perder. Talvez haja jogadores que tem habilidades para jogar nossos jogos e competir conosco mas eles tem medo de perder dinheiro. Bom, eu penso, Se você pode fazer isso e você acredita que pode, eu digo: faça! Se perder, perdeu, mas esse sou eu… Outras pessoas não pensam assim. Você tem que fazer o que lhe é confortável e compatível consigo.

CD: É fácil pra você pensar assim porque você tem feito muito dinheiro?

PI: Eu fazia isso quando eu não tinha dinheiro. Eu jogava jogos que eu precisava ganhar de qualquer jeito. Eu venho sempre me colocando em situações que caso eu perca não me machuque muito. Não é muito divertido pra eu jogar limites baixos hoje em dia.

CD: Em 20 anos, você acha que terá a mesma atitude para apostar?

PI: Acho que sim. É a minha personalidade. Eu sou um tomador de risco. As vezes isso é bom, as vezes não. Esse é o estilo de vida que eu escolhi. “Isso é quem eu sou”. Sou um jogador, um apostador. Eu gosto de jogar poker e não tenho medo da ação. Isso me diverte. Eu tenho tendências compulsivas como todo mundo, mas você tem que saber quando se está saindo da linha e se tornando ridículo.

CD: Como sua esposa afetou sua carreira?

PI: Ela é um apoio, um recurso que eu tenho. Ela me ajuda com tudo que eu não posso fazer. O que é tudo. Eu não consigo fazer nada, porque eu jogo poker o tempo todo. Ela cuida de mim e definitivamente me ajuda muito quando eu perco. Ela está sempre lá e eu sinto que tudo ficará bem. Sem Luciaetta, eu não chegaria nem perto desse sucesso todo. Ela nunca saberá o quão importante ela é pra mim.

CD: Você já disse que não tem nenhuma estratégia. O que isso significa?

PI: Isso significa que quando você joga poker, as coisas mudam. Você não pode dizer que jogará de uma maneira com esse jogador e dessa outra com outro. As coisas mudam. Se você está jogando contra um jogador ruim, você pode até ter uma estratégia, mas não nos meus jogos. Você não pode ter uma estratégia definida contra bons jogadores, pois eles são capazes de perceber isso e mudar. Então você deve mudar também. A diferença entre o maior jogo e o $400 – $800 é que no maior jogo eles podem se ajustar a qualquer coisa que você faça. Se você joga rápido, eles ajustam. Se você joga mais “tight”, eles irão ajustar. Os melhores jogadores são capazes de dizer quando outro jogador está se ajustando ou pensando em se ajustar e quando voltam a mudar suas estratégias. Então quando se tem uma estratégia, é melhor está pronto para mudá-la. Como diria Mike Tyson “Todos tem uma estratégia até ela ser batida”. O poker deve ser jogado com sentimento. Algumas pessoas necessitam de alguma estratégia pois isso as faz se sentir melhor. Algumas pessoas quando fazem uma mesa final fazem um diagrama com os nomes dos oponentes, posições, cores das fichas. Eu não me importo quem está na minha esquerda ou na minha direita. Eu irei jogar da maneira que eu acho que é a maneira certa para se jogar. Muito do poker pra mim é instinto e feeling. Você somente tem que tomar as decisões certas ao invés de ter estratégias. Pra mim estratégias não funcionam, mas se isso funciona pra você , então a use. Cada um é diferente.

CD: Você diria que joga pelo feeling ou matematicamente?

PI: Há certas técnicas e habilidades que é preciso saber para jogar poker. Você deve saber que certos jogadores são “bailarinos” e outros são vencedores. Você deve saber que algumas mãos são automaticamente dignas de “fold”. Isso depende de como o adversário está jogando contra você no momento. Eu tenho que ficar mais atento, pois as pessoas me vêem na TV e estudam minha maneira de jogar. Eu acho que o poker ao vivo e transmitido ao vivo é o futuro da tv. Quando a audiência tiver um pouco mais de paciência e entender melhor o jogo um pouco mais, eles sentarão por umas 4 horas para verem um torneio assim como no golf.

CD: Qual a diferença entre o Phil de agora e o Phil Ivey de alguns anos atrás?

PI: Eu aprendi muito sobre as pessoas nesses últimos 5 anos. Eu agora quero curtir, viajar, curtir minha esposa . Eu sei que se eu trabalhar duro agora, não precisarei mais algum dia. Eu tenho que tirar vantagem disso enquanto posso.

CD: Há alguém no poker que você não pode vencer por alguma razão?

PI: Se há alguma coisa que eu não posso vencer no poker é a “randomização” do poker. Quando eu comecei a jogar a $400-$800, Henry Orenstein costumava me vencer o tempo todo. Ele pessoalmente me quebrou por uns 6 meses. Eu sentei na $75-$150 para reconstruir meu bankroll para voltar a jogar a $400 – $800. Eu queria jogar e ele sempre me quebrava, chegava até a ser engraçado, acho que eu não ganhei uma mão se quer dele por uns 6 meses.

CD: Nos torneios você prefere jogar contra os jogadores experientes ou os iniciantes?

PI: Eu gosto de jogar contra bons jogadores porque eles dão mais “fold”, porém pode-se pegar mais fichas dos iniciantes com uma boa mão. Uma coisa do poker é que ele pode o fazer parecer um idiota. Há algumas situações em que você coloca todas as suas fichas numa mão e vê sua queda morta. É constrangedor.

CD: O que você acha de jogadores de poker se tornando celebridades?

PI: Isso é estranho pra mim. As vezes eu vou em algum lugar e ouço “Olha, é o Phil Ivey”!, quando eu estou caminhando. Eu nunca esperei nada parecido com isso.

CD: Isso já fez você evitar de sair para jantar ou para ir ao shopping?

PI: Não, nem tanto. Todo mundo sempre é muito legal comigo. Entretanto quando eu estou jogando, é uma coisa minha, e eu preciso focar. Eu sempre quero parar para conversar com as pessoas quando me param, mas é difícil depois de uma grande derrota. Lembrem-se, jogar poker é meu trabalho. As vezes quando eu estou sendo fotografado, as pessoas pensam que eu estou olhando pra elas de uma maneira louca. Um dos meus amigos me disse uma vez. “Olhe para seus olhos”, eu nunca havia percebido como meus olhos ficam até me ver na tv. Eu também fiquei chocado. Nossa, meus olhos estão sobre todo o lugar!

CD: Que tipo de coisas você repara quando está jogando?

PI: Eu observo a pessoa. As pessoas costumam falar dos meus olhos, porque eu não uso óculos escuros. Eu acho que se você não consegue jogar com alguém olhando pra você então não deve jogar poker. Se você tiver alguma pista, trabalhe com ela. Algumas pessoas usam óculos escuros para não serem “lidas”, mas grandes top players não usam óculos escuros. Eu tentei usar uma vez num World Series e leram minha mão. Eu joguei o óculos de $1.100 no lixo. (A esposa de Ivey ao escutar essa parte da entrevista, diz de longe: E era um óculos muito legal!!), e Ivey diz: Tão legal que me fez perder um pote de $100.000 !

Já estava ficando tarde e Phil queria jogar um pouco de poker on line antes de ir para o Bellagio para mais uma noite de trabalho. Ele tem um computador conectado a uma grande tv de tela plana e ele senta-se no sofá e joga confortavelmente. Quando eu estava indo embora próximo à porta de saída, vi Phil apertando alguns botões do seu gigante controle remoto e depois gritou: “Luciaetta”, você poderia descer aqui um instante e me mostrar como ligo essa TV?

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